Hoje resolvi fazer um post um pouco mais in... Sei que fé é
um assunto muito particular e delicado, por isso tudo aqui é relativo ao que eu
vivi e acredito.
Decidi fazer um apanhado sobre a fé que eu conheço. Da minha experiência de fé.
Eu fui criada em uma família católica, com avós muito
participantes. Livre do pecado original através do Batismo, recebendo o corpo
de Cristo na primeira comunhão e confirmando minha fé na Crisma. Mas nunca
havia sentido a verdadeira fé em mim. Ia na Igreja sabendo da importância, mas
não a sentia. Não entendia como minha avó podia frequentar até 3 vezes na
semana...
Cresci, mudei e depois mudei denovo.
Sempre me sentia deslocada, meio diferente das outras
pessoas... E achava que tinha algo errado com isso... Nunca fui muito de sair,
preferia conversar com meus amigos tranquilamente, passar a noite ouvindo
música sozinha ou vendo filme enquanto via a grande maioria dos meus conhecidos
que batiam cartão em balada todos os dias com um “namorado” diferente a cada
mês e definitivamente eu não me enquadrava naquilo.
E foi quando eu me vi
completamente sozinha, em uma cidade fria e cinza, sem saber ao certo o rumo
que estava tomando a minha vida, que eu fui tocada pelo desespero. Sim, a
manifestação da minha fé veio através do desespero, do desamparo. Aquele dia eu
chorei muito, mas nunca havia me sentido tão leve de me abrir com o Senhor.
Nunca havia me sentido tão completa como com aquela fé que eu sentia
completando parte do vazio que eu sentia... Foi maravilhoso! Emocionante
mesmo...
Decidi voltar à frequentar as missas e colocar mais os
ensinamentos da Igreja em minha vida.
O primeiro passo foi viver segundo o resumo dos 10
mandamentos: Amar à Deus sobre todas as coisas e Amar ao próximo como a ti
mesmo. Pra depois ir desmembrando os 10.
Saber que tudo nesse mundo é regido por um ser maior, que
está ali com todo o amor do mundo pra te amparar e abençoar e a empatia, que
foi a parte mais difícil.
Comecei fazendo um exercício interessante e duradouro (confesso
que ainda o pratico) que é o de perdoar. Reuni todas as mágoas que encontrava
em meu coração e uma por uma eu pedi ajuda ao Senhor pra que eu conseguisse
perdoar. Na época tinha muitas crises de ansiedade por conta de coisas mal
resolvidas e decidi acabar com aquilo. Ainda exercito porque tem algumas que
são bem grandes e melhorei bastante, mas ainda não consegui perdoar.
Concomitantemente, foquei em me perdoar pelas minhas falhas.
Como sempre fui muito exigente comigo, tinha muito trabalho a fazer... E foi a
melhor coisa que já fiz em minha vida. Com isso fui me aceitando melhor, não
tendo mais receio de ser diferente. De viver como eu me sentia bem.
E a cada assunto que eu resolvia, rezava muito agradecendo à
Deus pela ajuda, pela força e por nunca ter desistido de mim. A cada etapa cumprida,
começava uma nova. Aprendi a paciência que tanto havia pedido a Ele sem saber
porque pedia. Aprendi que tudo na vida tem o seu tempo. Você não precisa e nem deve
acelerar, porque perderá lições valiosíssimas que irão fazer falta.
Aprendi também a persistência quando se tem um bom objetivo.
Era de mim que se tratava, do meu bem estar, de mudar o meu ser, a minha
passagem pelo mundo... Eu não podia desistir. Rezei muito pra Santa Bárbara, a
Santa Guerreira pedindo persistência . Também rezava pra São Francisco de Assis
pedindo tranquilidade e humildade e a São Jorge pedindo proteção.
Ia na missa na Catedral todo domingo. Fosse embaixo de chuva
ou sol. Rezava terços durante e a semana, passei a fazer e cumprir promessas e
fui descobrindo mais força pra poder cumpri-las.
Cada vez mais, minha relação com Deus foi se fortificando...
E quanto mais eu me consertava, melhor eu me sentia. A fé se solidificou em
mim, pois passei a sentir Deus dentro de mim. E quando isso acontece, meu
amigo, o mundo é seu. Maravilhas acontecem dentro de você porque Ele está lá!
Ele está contigo em todos os passos que você dá, está com todas as pessoas que
você conversa e em tudo o que você faz. E isso é uma responsabilidade MUITO
grande!
Minhas relações foram se transformando. Eu passei a entender
tudo na relação com minha mãe, muitas das coisas que ela havia tentado me
ensinar e eu teimosamente não aprendia.
Passei a compreender cada traço da minha vida, cada pedra em
que me machuquei, cada lição que era pra eu aprender em todas as situações.
Comecei a mudar a minha visão do mundo, porque eu mudei. Porque através da
minha fé em Deus eu me tornei uma pessoa muito melhor. Ele pensa em tudo e faz
tudo pra ajudar na nossa transformação... Tanto é que por vezes, coloca anjos
em forma de pessoas pra nos ajudar a ver o que está faltando, que não nos está
no campo de visão. Pessoa fundamental na minha vida é a Milca, que ora com
paciência necessária, ora com urgência necessária me fez perceber muito mais coisas a serem
aperfeiçoadas.
E parece que só depois de passar por todo esse processo de transformação,
de clareza e entendimento que eu seria tão abençoada de conhecer o amor de
verdade. Aí sim eu pude entender como Deus se sente em relação à mim. Recebi a
benção, a dádiva de conhecer o Francisco e descobrir esse sentimento tão
poderoso que é o amor. Hoje eu compreendo porque passei por cada etapa dessas
de transformação antes de conhecê-lo. Eu jamais iria compreender, não saberia o
que fazer e teria medo. Como em Coríntios 13. Diz tudo!
Hoje na missa do Pe. Bruno na Paróquia Santa Maria Goretti,
a passagem do Evangelho falava sobre a ganância. E se perguntando o que é mais
importante pra cada um eu senti orgulho enquanto ele falava de me dar conta em
quão avançada eu estava naquilo. Ele falou dos valores da família, do que a
família deve representar, falou sobre cuidar de nós mesmos, pois somos templo
do Espírito Santo e citou ainda uma das últimas frases do abençoado Papa
Francisco em sua visita ao Brasil: “Jovens, não tenham vergonha de remar contra
a maré”. E falando nele, que pessoa mais ímpar esse novo Papa!
E na minha opinião, não importa muito qual Igreja você
pertence. O que importa é o que você faz com a Palavra que você ouve. Todas as
Igrejas são dirigidas por homens e homens são suscetíveis a erros. Sempre vai
haver escândalo, injustiça entre outras coisas. Por isso repito, o diferencial
é o que você faz com a Palavra, com os ensinamentos Dele.
Não mudei e nem pretendo mudar a Igreja que frequento. Não
só por ter crescido nela, por considerar a Igreja católica, não invasiva e tranquila,
mas também pela forte imagem e memória que ela traz da minha avó Precilde, que
sempre me mostrou a fé com exemplo. Que realmente a vivia.
A fé, a convivência com o Senhor, é algo diário. Lembra a
história da empatia? Temos que cultivar como todo relacionamento. Só que esse é
um pouco mais complexo pois se trata de um Ser Onipresente e Onisciente. Se
trata do Criador. Do Pai, que deu a vida do Seu Filho pra abrir a porta dos
céus novamente pra nós.
Se Ele está dentro de você não o deixe sozinho. Pois
enquanto Ele estiver contigo, você poderá passar por tudo!


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